Juros baixos estimulando a inflação, manobras cambiais utilizadas como “moedas de troca” e uma indústria congelada. O Brasil atualmente se encontra em um momento de economia em recessão, prevista para ser a pior já registrada em 25 anos. Lawrence Pih, um grande empresário sino-brasileiro, responde a diversas questões e traz uma nova luz sobre os possíveis caminhos para Brasil recuperar seu crescimento econômico.

LawrencePih_foto de Roberto Setton (Forbes)

“A Petrobras não é uma empresa é um antro de inequidade. A Petrobras é uma empresa que chegou a valer US$ 77 por ação, nos EUA. Hoje, esses papéis valem US$ 4… a Petrobras não é uma empresa é um braço do governo para frear a inflação”, aponta Lawrence e continua: “O câmbio é um alívio temporário porque o câmbio vai pela inflação… Não vai resolver nada. O real desvalorizou contra, basicamente, duas moedas: o dólar americano e o renmimbi, da China. Ou seja, a vantagem cambial é temporária”.

Um dos primeiros empreendedores a apoiar a oposição política ao regime militar no final dos anos 1970, Lawrence criou, junto com sua família, uma das maiores e mais conhecidas empresas de moagem de trigo do Brasil: o Moinho Pacífico (que foi vendida recentemente para a multinacional do setor de alimentos Bunge).

“Hoje, o mercado financeiro mundial não empresta mais dinheiro ao Brasil”
Em meio a informações polêmicas, Lawrence manifesta sua preocupação do Brasil perder seu grau de confiança no mercado e se tornar um Junk Bond, ou seja, uma “ação lixo”. Quando abordado sobre o cenário da indústria brasileira, o empresário aponta que a estagnação tecnológica e produtiva causou um processo de desindustrialização: “Por que a indústria sofre tanto? Porque a indústria precisa concorrer com o resto do mundo. Serviço não! Nenhum estrangeiro vem ao Brasil para prestar serviço porque terá o mesmo custo. A indústria vai ter que concorrer com o centro de custos de outros países. É a globalização. Por isso que a indústria encolhe e o setor de serviços não”.

Para o empresário, as reformas políticas e econômicas, e uma mudança do Estado voltada para transparência seriam bons caminhos para o país resistir a crise e retomar o crescimento econômico. “Não adianta o governo falar ‘Eu quero’. Você não quer coisa alguma! A economia irá se impor porque, querendo ou não, o mercado é soberano. Por bem ou por mal, o mercado dita as regras e agora está ditando por mal”, explica Lawrence.

Acompanhe o programa, dividido em 4 partes, a partir desse link.

Lawrence Pih é ex-presidente do Moinho Pacífico, mestre em Filosofia pela Universidade de Massachusetts, empresário, investidor e autor do livro Réquiem para um Capitalismo em Agonia. Também é conselheiro da FIESP e da AB Trigo.

Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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