Crise. Uma palavra que paira sobre o mercado há anos. Um efeito dominó, iniciado nos Estados Unidos em 2008, que desafiou a confiança dos governantes europeus e cruzou o Oceano Atlântico, atingindo primeiro a Grécia e depois o mundo. A crise na Europa – intensificada em 2015 com a chamada Crise dos Refugiados – é uma preocupação permanente para investidores, economistas e para todo o mercado.

No documentário “Europe at the Brink”, jornalistas, repórteres e editores do Wall Street Journal examinam as origens da crise da dívida pública na Europa (também chamada de Crise de Débito) e buscam análises para justificar como e porque a crise se espalhou tão ferozmente, refletindo em todo o mercado.

Europe at the Brink

“Uma das coisas que aprendemos com a crise de 2008 é que ‘vírus financeiros’ são extremamente contagiosos” – David Wessel, Editor de Economia do Wall Street Journal.

“Europe at the Brink” traça o caminho da crise europeia. Tudo começou na Grécia. Após a consolidação do euro, o país emprestou muito mais dinheiro do que podia pagar e o resultado foi um endividamento público elevado que afetou rapidamente Portugal, Espanha, Itália e Irlanda.

Segundo uma reportagem da BBC, em 2009, o déficit no orçamento grego foi de 13,6% do PIB, um dos índices mais altos da Europa e quatro vezes acima do permitido pelas regras estabelecidas na zona do euro. A dívida grega havia acumulado o valor de 300 bilhões de euros (o que hoje equivaleria a aproximadamente R$ 1.323,6749 trilhões).

O que começou com uma crise “isolada” na Grécia em 2009, poderia ter sido resolvido rapidamente, mas com 17 governos participantes no bloco, houve delongas para que decisões cruciais fossem tomadas. As consequências? A crise das ilhas gregas “contaminou” a Irlanda e Portugal, o valor da dívida aumentou e o cenário incerto fez com que investidores retirassem capital do território europeu. O crédito entrou em colapso e o desemprego disparou. Some a isso o rebaixamento dos ratings (notas dadas por agências de classificação de risco como a Moody´s e a Fitch) e a queda do PIB, e o estrago está feito.

Em 23 minutos, “Europe at the Brink” expõe atitudes, decisões e pensamentos que podem salvar uma nação, mas que também podem levar a falência.

O que tirar desse documentário?

Esse documentário pode ser usado como um caso de estudo, principalmente quando se pensa em gerenciamento de crises:

  • Envolver muitos decisores em um processo que precisa de agilidade não oferece uma reação efetiva. Quanto maior o número de opiniões, mais tempo levará para chegar a um consenso e isso pode gerar graves consequências.
  • Outra lição é o quanto uma relação entre parceiros pode comprometer um ao outro. No caso abordado nesse documentário, um país comprometeu outros, que precisaram da ajuda de outros, que se negaram a prestar contas para outros e isso cria um efeito dominó destruidor.
  • E talvez a maior lição de todas: o mercado muda de uma hora para outra. É preciso estar atento sempre.

Em 2015, o economista norte-americano Paul Krugman, ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2008 e professor de Economia da Princeton University, alertou: há chances do Brasil seguir os passos da Grécia. Com as manobras econômicas aplicadas durante o ano passado, o aumento de taxas, a desvalorização das commodities, as “pedaladas fiscais” o rebaixamento do nível de investimento e com o mercado perdendo confiança na economia brasileira, talvez isso se torne uma realidade. Assista “Europe at the Brink” e avalie como estão seus investimentos.

Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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