Nesse café filosófico, o sociólogo e professor de economia da FEA-USP, Ricardo Abramovay, aborda a reinvenção da economia no século 21. Baseado em um cenário de escassez de recursos naturais, o economista promove a seguinte questão: Será que seremos capazes de promover desenvolvimento sem causar desequilíbrios ou comprometer a saúde dos ecossistemas?

Para ele, se existe uma área que precisa ser reinventada, essa é a economia. Abramovay considera que essa ideia de crise econômica mundial traz apenas o catastrofismo como foco, o que acaba deixando de lado diversos pontos positivos, como a longevidade da população mundial e a evolução da tecnologia, que propicia diversos avanços à sociedade humana.

“Nosso problema não é que não estamos fazendo nada para o mundo melhorar. O problema é que aquilo que fazemos como civilização contemporânea para reinventar a vida econômica nos deixa muito aquém do mínimo necessário para que possamos compatibilizar o tamanho do sistema econômico com os limites dos ecossistemas”, disse Abramovay durante o Café Filosófico.

Avanços

O professor considera que houve três grandes avanços:

  • A luta contra a miséria absoluta e contra a pobreza
  • A ecoeficiência, ou seja, o uso mais eficiente dos recursos naturais aumentou muito
  • A responsabilidade corporativa sobre a sustentabilidade empresarial também cresceu, tema que não era sequer debatido até a década de 90

No entanto…

… para Abramovay, se a evolução da economia tiver como pautar esses três avanços, será como usar a “cabeça contra o rochedo” e não adiantará muito, resultando na incompatibilidade entre a vida social e a manutenção dos ecossistemas.

Em um mundo onde a desigualdade aumenta, onde (apesar da ecoeficiência) utilizamos os recursos de forma cada vez mais abusiva, teremos apenas mais desgaste ambiental. Por exemplo: Apesar de os produtos serem feitos com menos recursos, quando comparado a realidade de 20 anos atrás, a demanda maior compensa a ecoeficiência da produção.

Qual o caminho?

De acordo com Abramovay, dois caminhos podem levar a essa reinvenção da economia contemporânea:

  1. Primeiro, a participação social nas decisões privadas
  2. E em segundo lugar, a ampliação do espaço de cooperação social nas mídias digitais

Muito além da economia verde

“Desde o século 18 até aqui, aprendemos e nos acostumamos que o sentido da economia consiste na promoção permanente do seu próprio crescimento pra crescer, pra crescer, pra crescer e isso hoje não é mais admissível. A grande novidade é que hoje dispomos de um conjunto de instrumentos que  permitem que nós de um lado façamos mais, mas também que sejamos capazes de fazer menos e sobretudo, de que a participação da sociedade civil na gestão dos negócios privados seja cada vez maior”, conclui o professor.

Assista ao vídeo do Café Filosófico, observe os diversos exemplos utilizados pelo economista e repense: Será que a economia que rege nossas vidas está ultrapassada? Devemos repensar nossos modos de produção e consumo? Bons negócios!


Escrito por Larissa Moutinho, jornalista MTB 6805, assessora responsável pela comunicação da TORO Investimentos. Foi editora da Revista ADVFN e jornalista da InvestMais. Pós-graduada em marketing e pós-graduanda em finanças.

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